Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Além da terra, além do céu - Antologia de poesia Brasileira contemporânea - Vol IV




      Além da terra, 

além do céu -  Antologia de poesia Brasileira contemporânea - Vol IV - Chiado books - 2020



A mais recente publicação de Patricky Field, esta antologia pela Editora Portuguesa Chiado books, conta com a participação da autora Patricky Field com o poema Vinha de Poesias.





www.chiadobooks.com/livraria/alem-da-terra-alem-do-ceu-antologia-de-poesia-brasileira-contemporanea-vol-iv


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Nunca cito minhas fontes





Nunca cito minhas fontes,
Talvez por isso seja marginal,
Igual a todo bandido qualquer,
Não me baseio, sinto, e crime maior que esse não há.

Fossemos todos baseados,
Igual àquilo que se traga,
Seríamos uma droga,
Talvez assim esteja o mundo agora.

Citações, não policiais,
Citações de quem tem a visão além do alcance,
Baseado em tudo o que já vi d’antes navegado,
Naufraga-se em palavras de contexto desordenado.

Somente copiar e montar,
Como boneca de trapos,
Meus sentimentos, coitados,
Foram há milênios silenciados.

A intuição não nos basta,
Talvez não a tenham ou a tenham estragado,
A mim, que conservo a minha,
Tento não citar as fontes e não ser um baseado.

Mas assim não serve,
Sempre permaneço sempre calado,
Talvez por isso seja marginal,
E por todos, sempre, invariavelmente, condenado.

Patricky Field

domingo, 16 de junho de 2013

Vento de Inverno

























Aqui hoje há vento, soprando de encontro a mim,

Que assisto, à janela, sua força e presença,

Queria ter sido assim tão forte, imensa,

Capaz de abraçar o mundo, tocar moinhos, ser eu e tudo,

Num grande encontro,

Peso e leveza, ar e grandeza,

Mas junto de tudo aquilo que me faz viva,

Que faz sentir o hoje como única alternativa,

Para sorrir e viver.


 

E agora aqui, logo mais, será noite de inverno,

E quem se coloca a sorrir quando o dia se vai?

Pudessem contar-me todas as estórias de Amor,

‘inda mais agora, com as estrelas brilhantes desse céu,

Ainda assim seria triste despir-se do véu,

Que as estórias viram histórias, que viram história,

Que vira pálida memória,

Hoje não quero mais seguir com o vento,

Peço alento aos mais doces e distintos destinos,

Que tracem aqui comigo,

Seu caminho afinal.



Desejaria que eu pudesse carregar seu sorriso,

Aqui, em meu coração,

Nos momentos mais solitários, nas horas de alegria,

Para que conhecesse todos os meus lados,

E todas as estruturas,

E minhas inquietações

Fossem todas as suas,

E fossem todas dissolvidas,

Não haveria mais dúvida,

Exceto aquela eterna ferida,

Que cicatriza, mas avisa:

Nunca mais, andarilho, nunca mais.



Agora, que o vento deixou de soprar,

Ouço a canção das folhas que ainda caminham,

Essas sim, sem destino,

Talvez a próxima calçada,

Talvez uma longa caminhada,

Sopradas ao acaso,

Não quero ser suas aliadas,

Quero estar aqui, sentindo teu coração, pulsando vida,

Volvendo à casa que deixamos, invadida,

Por aquele vento forte, que me traz ainda à memória,

Um tempo que viria, após esse inverno de agora.

 

Patricky Field







sábado, 16 de fevereiro de 2013

Quando o novo dia nascer


 

A noite vem fria e com sua escuridão,
Há tanto a fazer, mas eu penso em dormir;
O medo de infância era tolo e vão,
O sol retornava todas as manhãs e me fazia sorrir.

Agora, enxergo no escuro o que antes era impossível,
O monstro negro virou-se sombras e luzes,
Da noite, não temo nada, isso parece incrível,
Mas é em plena luz do dia que enfrento meus medos e minhas cruzes.

Por que abrir mão da paz, se tudo é nada?
O medo do escuro é como o medo da verdade,
Se não a conhecermos, a vida não é mais que sombra que passa,
E o grande monstro da infância é a ignorância em qualquer idade.

Não ignore seu momento, viva, da aurora ao ocaso;
Cada segundo é um dom divino porque é único, não retorna;
Podemos escolher entre o amor ou o pouco caso, mas,
De ambos, apenas a você cabe dar a cor, o som ou a forma.

Não temo nada, sou eu parte do Universo,
E um halo novo, de brilho intenso, me faz leve e puro,
Como o teu sorriso me faz desejar em teu olhar estar imerso,
Enquanto os dias passam e as noites fazem um desenho novo em teu muro.

E, não mais os monstros do passado, as noites mal dormidas;
Não mais os dias de angústia por uma mal vivida vida;
É doce o mar, o céu, a estrada por onde eu vou, cada dia;
Eu posso, do caminho, colher flores ou travar a briga.

Mas eu escolho o sol, o brilho da luz em minha alma,
Que tem o amor permitido se acenda, amor pela vida,
Pela força da simplicidade de afeiçoes reais e não forçadas.
Não me chocam as mentiras que murmuram nas calçadas;
Na serenidade de meus passos, por sobre a areia, pedra ou brasa,
Caminho dois mil passos se preciso for, para retornar a casa.

E, na escuridão da noite, há um pedido a fazer,
Que você tenha bons sonhos e desperte tranqüilo quando o novo dia nascer.
 

 


domingo, 21 de outubro de 2012

Velhas Fontes

 



Se eu me perco, serei um a mais?

Se te conheço, terei que voltar atrás?

Como um pássaro triste que trouxe vida à floresta,

mas que de sua própria vida nada mais resta?


Amado, a música toca, através do vento,

o som do mar ouve os teus pensamentos,

como o desejo de um deus displicente

um universo se fez, de toda dor ausente.


O tempo transcorreu, a vida se refez,

novas dores, sofrimentos, todos de uma vez,

aquele deus, de todo seu coração,

renasceu, para novamente cair em tentação.


Hoje a gota do último frasco se verteu,

se a primeira ou a última todos sabem, menos eu,

tantos foram os caminhos para cruzar a mesma ponte,

se foi vinho, se foi água, todos buscam outras fontes.


E o vento amainou, apesar do céu cinzento,

e a música lá fora é outra forma de tormento,

se eu me perco, sou mais um a vagar pelas estradas,

aos olhos de todos, eternamente, um ser... que não vale nada.

 

 Patricky Field


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Vinha de poesia

(...) Queria brincar contigo por sobre os relvados,
ser feliz como a todos que, pelo amor, seriam
também tocados;
agora esqueço os pesares que me andam rondando,
seguro nas pontas de seus dedos que me aceitam e conduzem por portões iluminados das estrelas de
um céu, mar de almas corsárias que
desafiam cartas e astrolábios e navegam
somente com a confiança em seus corações,
e com a tranquilidade de terem um porto
para onde voltar quando as vagas cessarem e as
marés tocarem os barcos de volta ao lar.

Seria e é assim quando em ti deito meus pensamentos,
seria e é assim cada lembrança,
sereno, terno momento...
E se o hoje nos quer mal e o mundo não conhece esse teu segredo,
viverei pela verdade de seus olhos, sem angústia e nem medo.

Porque é assim quando de ti me lembro,
porque a música toca bonita e clara
como os sons da alvorada; e os espelhos
refletem o sorriso seu que tanto me acalma,
que é tão parecido com minha própria alma.

A poesia é sombra rápida de um sol que
ilumina a árvore da vida, e o amor
são os destinos traçados pelo dom de viver,
por aquela decisão de ser, ao invés de não ser.
Só que morre de castigos antigos,
de tragédias ocultas, a poesia é sombra
de minha vinha e o que eu não cuidar
fenesce, sem que outros a venham cultivar.

Por isso o sol de teu sorriso a mim venha
acalentar, não mais somente a chuva das
tardes eternas e das manhãs escuras.
Minha alma ecoa sons sem vozes que
em ti cabem, como música ao longe,
como o significado da vida, que não
é a utopia do amanhã, nem a fugacidade
do ontem. Em teu sorriso minha alma
habita. Em tua paz eu reconheço a origem
de minha vida.