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domingo, 1 de setembro de 2013

Entrevista com uma árvore

                                                                                                                                Anne Russel
                            Agosto, 2013

Colhendo hoje, amoras de uma Amoreira de galhos espaçados, pensei se no lugar da latinha a qual eu enchia de suas frutinhas roxas, eu tivesse papel e caneta, e claro, ela, uma boca. Estava uma manhã fria, mas o sol brilhava num ascendente faiscante. Eu, em vez de ficar em pé, como estava me sentaria. Refrearia as contingências do mundo por uns momentos, que seriam tão especiais e autênticos que deles eu jamais me esqueceria.

Começaria minha entrevista um tanto tímida, já que a árvore, senhora de si e sentinela daquela colina, parecia tudo saber... Talvez mais que de uma só vida.

A sombra refletindo a luz filtrada através do caule, folhas... E os frutos ainda verdes dependurados com o orgulho silencioso dela.

Com respeito eu começaria:





___ O que sente a senhora nesse momento em que tem de si frutos que 
generosamente dá como oferta a um mundo que talvez nem saiba de sua existência?

___ Minha jovem criatura. Sou antiga como os tempos que formaram a estrutura da primeira semente de quem eu sou. Nós, amoreiras, mesmo que fôssemos a última, ainda teríamos em nós a primeira. E ter atingido esse doce estágio de florescer e frutificar é algo que reverencio em meu interior, é o respeito que devo a semente que me formou e ter atingido esse nível no processo todo que a entropia inspira, é como se houvesse caminhado, como vocês criaturas que podem andar, e ter lutado, não contra, mas à favor do Sol, da chuva, de tudo de que me servi e que agora sirvo por minha vez, devolvendo a porção exata de que utilizei desse ambiente que me cercou como uma mãe, armazeno em mim a seiva da própria terra. O sangue da vida que me fez crescer. É a ele que devo a cor do primeiro fruto amadurecido em meu seio no primeiro dia de primavera que testemunhou esse ciclo que não é só meu, e sim pertence a todo esse universo que me fez quem sou.

Desde a primeira semente surgida séculos de vocês criaturas, até aquela primavera que viu meu primeiro fruto. Dei ao mundo a felicidade que recebi, e das dificuldades de atingir esse momento, nem me lembro, desde que minhas outras irmãs possam viver através de mim e dos meus frutos.
                                               *** ***
Eu escreveria tudo rapidamente, e fascinada com o milagre daquela entrevista inusitada e maravilhosa, eu continuaria a perguntar:

___ A sensação em colher seus frutos é algo intimista, que remete ao profundo de um eu talvez perdido em nosso próprio interior. Pensa que seja o traço de uma eternidade, que ultrapassa as  barreiras da matéria através do ir e vir, fluxo constante de vida de seu interior?

___ Alcancei o prêmio dos que não necessitam buscar ou dar explicações. São aos outros que sirvo, não a mim. Se meus frutos servem a um propósito maior que apenas alimentar a vida, se com eles podem vocês humanos sentirem algo superior, não é a mim que devem e sim a esse envolvimento superior que os quer elevar, assim como meus galhos que procuram estar cada vez mais perto dos céus, embora jamais possa esquecer minhas raízes, porque elas me prendem, mas com doçura própria da mãe que é regaço para o filho; assim foi a terra para mim, assim ainda o é. Sei que talvez serei ceifada antes mesmo de outra primavera, mas não vivo por esse momento do fim , não é por ele que vivo, entende? E sim por todos os dias os quais servi à vida.

Eu, embevecida, passaria a mao por seus caules finos, sem entender por que ela, logo ela falara de morte.

Então, olharia à minha volta... Um toco queimado e arrasado do que havia sido um vigoroso e belo Flamboyant, outro, e outro. Mais à frente frondosos Eucaliptos dos quais não restaram nem a lembrança.

___ Desculpe árvore querida, e pensar que eu os amava a todos... E não foi o suficiente para salva-los.

___ Eles estão salvos... Aqueles que lhes causaram isso é que jamais estarão.








                                          

                        


                                                                             FIM

sábado, 20 de julho de 2013

Você me trará?


 

Será que se eu lhe pedir,

Você me trará aquilo que mais desejo?

Nada complicado, nada caro, embora,

Na escala dos desejos, seja o mais estranho,

O menos encontrado.


Será que se eu lhe mostrar,

Você reconhecerá e, a partir desse momento,

Será teu desejo igualmente forte e fugaz,

Permitido e herético, pura heresia

Daqueles corações perversos que o negaram,

Mas que lhe peço: não negues mais!?


O que lhe peço mão alguma pode dar,

Força alguma pode encontrar,

Senão a da alma, se é que possuis uma,

E sei que sim, acaso caminharias ao acaso,

Ou talvez estejamos todos nós jogados

Nesse ocaso de nossas formas etéreas;

Ao benefício do acaso cruel e amargo dos

Desejos realizados, aqueles não desejáveis,

Aqueles insaciáveis, dos corações que aprendemos

A chamar de irmãos; a chamar... nunca mais?


Não! Há beleza e sentimento,

Eu os quero aqui, comigo!

Cúmplices dos sonhos, aprendizes da realidade,

Sejamos nós agora, desse doce momento

Até a eternidade, que a gratidão

Nos preencha boca e rostos e logo

Essa seja a face do mundo,

Pois não há beleza maior que ser grato

Por um Bem que nos há sido feito,

Não há maior alegria que, sem questionamentos,

Sermos presenteados com a gratidão de alma e coração,

Através dos atos de Bem, continuados a partir daquele primeiro gesto,

Daquela primeira palavra,

Em circuito, em longo circuito através do mundo,

Iluminando os espíritos e sorrisos,

Sendo, eternamente sendo, estando, vivendo...



Se eu lhe pedisse, será que você me traria?

Uma corrente... Talvez de ouro, talvez

De prata, mas não para se usar no pescoço,

E sim ao redor de todo o mundo.


Se eu lhe pedisse essa jóia... Será que você me traria?

 

Patricky Field

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Beira do caminho

 

 

 Sentei-me à beira do caminho,
Olhei nas direções Norte e Sul,
Senti o quanto havia caminhado,
Não sabia de onde havia vindo ou por onde
Conduzir meus passos de agora e de então.


 Sim, os de ontem ainda estão vivos,
Os passos ativos me conduzem em direções erradas,
Se só no pensamento penso em seguir à frente,
No coração sinto como se voltasse ou estagnasse,
E nada daquilo tudo o que vivi realmente em mim ficasse.


 Acabo de ver meus sonhos correndo porta afora,
Andando como se nada os pudesse deter,
Como se a mim não pertencessem,
Talvez não pertençam realmente...
Mas se parecem tanto comigo...


 Sou seu deus, são meus demônios,
Afogados num mar de risos contemporâneos
Envoltos numa bruma fria de “depois”, “agora não”,
Sempre “depois”, sempre “perdão”,
“Como vai” apenas, e mais um, mais um sonho que parte sem dizer razão.


 E na música a escala, como na oração,
Mi, dó, ré, e quantas mais,
Ut queant laxis, Ressonare Fibris, Mira gestoru,Para que possam ressoar as maravilhas!
Numa escala próxima à divina,
Criando verdades parecidas com aquelas de nossa primeira vida.


 Não me permita estagnar,
Se não puder correr como o rio
Que seja então uma onda daquele imenso mar,
De soltas notas de desejos primeiros,
De quando na estrada nos pusemos a caminhar.


 Hoje vi meus sonhos caminhando para longe
Percebi que são só sonhos, nem os chamei de volta,
Pus um pé na realidade, outro também, deixei pegadas,
Talvez recobre um pouco da magia se ouvir o som das notas,
Do caminho por aonde vim, da orquestra de minhas botas.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Jardim de meu amor


Jardim de meu amor



Sua presença é como a dança das borboletas, leve,
preenchendo o ar detrás dos portões de um jardim secreto,
onde bulbos dormentes florescem por onde antes só havia neve,
sementes em flores que se assistem e caem, entre si, em afeto.


A memória de sua existência, doce, tênue, tão antiga,
recordava-me, com certeza, de sua face, seu sorriso,
equivoquei-me por tais vezes, mas a sorte soou amiga,
sua face, uma vez mais, me apareceu, sem espera ou aviso.


Eu te amo, te amei e por certo te amarei,
ainda creio em algo mais que nos leva, eu te encontrei,
sua presença foi tão breve, por que sempre vai embora?
Então retorne, como as flores no jardim secreto, sem demora.


Como um menino, talvez não mais que quando de ti me lembro,
trajado em verde escuro, como as folhas do carvalho,
seu sorriso ainda me lembra os dias claros de setembro
quando a flor colhida ainda sustentava última gota de orvalho.


Ai de mim, se me engano não quero tal dura sentença,
me preenche de alegria apenas por conhecer sua essência,
e por detrás dos portões tomados de hera de nosso jardim secreto,
meu coração de ti se preenche como, de flores, o jardim se vê repleto.


Patricky Field

sábado, 16 de março de 2013

O Amor... o que é?

"É complicado, atordoante, te vira completamente do avesso, mas encontrar a pessoa que te completa é a melhor sensação que alguém pode ter. É como se fosse um encontro consigo próprio, e como tal, é claro, amedronta, faz você repensar toda sua vida, e você descobre que não era nada antes de conhecer o verdadeiro amor, e que, depois dele, você já era, está aniquilado se não tiver mais, mesmo que por um dia, sua alma especial ao seu lado."

Patricky Field - em Coração e Ímpeto

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Quando o novo dia nascer


 

A noite vem fria e com sua escuridão,
Há tanto a fazer, mas eu penso em dormir;
O medo de infância era tolo e vão,
O sol retornava todas as manhãs e me fazia sorrir.

Agora, enxergo no escuro o que antes era impossível,
O monstro negro virou-se sombras e luzes,
Da noite, não temo nada, isso parece incrível,
Mas é em plena luz do dia que enfrento meus medos e minhas cruzes.

Por que abrir mão da paz, se tudo é nada?
O medo do escuro é como o medo da verdade,
Se não a conhecermos, a vida não é mais que sombra que passa,
E o grande monstro da infância é a ignorância em qualquer idade.

Não ignore seu momento, viva, da aurora ao ocaso;
Cada segundo é um dom divino porque é único, não retorna;
Podemos escolher entre o amor ou o pouco caso, mas,
De ambos, apenas a você cabe dar a cor, o som ou a forma.

Não temo nada, sou eu parte do Universo,
E um halo novo, de brilho intenso, me faz leve e puro,
Como o teu sorriso me faz desejar em teu olhar estar imerso,
Enquanto os dias passam e as noites fazem um desenho novo em teu muro.

E, não mais os monstros do passado, as noites mal dormidas;
Não mais os dias de angústia por uma mal vivida vida;
É doce o mar, o céu, a estrada por onde eu vou, cada dia;
Eu posso, do caminho, colher flores ou travar a briga.

Mas eu escolho o sol, o brilho da luz em minha alma,
Que tem o amor permitido se acenda, amor pela vida,
Pela força da simplicidade de afeiçoes reais e não forçadas.
Não me chocam as mentiras que murmuram nas calçadas;
Na serenidade de meus passos, por sobre a areia, pedra ou brasa,
Caminho dois mil passos se preciso for, para retornar a casa.

E, na escuridão da noite, há um pedido a fazer,
Que você tenha bons sonhos e desperte tranqüilo quando o novo dia nascer.
 

 


sábado, 26 de janeiro de 2013

Não sejais vento...

“(...) Richard sabia que esse momento surgiria mais cedo ou mais tarde. E ele não estava disposto a fugir. Aquele homem o odiava, e agora ainda mais. Todo amor que Richard sentia pelo mar era visto com desprezo cada vez maior por aquele homem.
___ Jamais temi o mar, ele apenas cumpre sua missão com sabedoria, mas se por vezes torna-se violento, a culpa é do vento... não dele.
A voz de Richard era velada, quase triste, ele mais que ninguém sabia o quão inútil era tentar travar qualquer diálogo com aquele homem.
Mas era necessário, sempre há o momento para um acerto de contas, e deve-se ter força e coragem para enfrentá-lo.
___ Bobagens..., sempre falando...”bobagens” – ele falou por fim entre dentes. Havia bebido muito, percebia-se pelo cheiro forte que o cercava como uma aura ruim. A gravata desfeita no colarinho aberto. Todo ele se mostrava de um modo vulgar, como Richard jamais vira antes.
O que é que você sabe, afinal das contas?
___ Talvez nada... – Richard tentava se afastar dele, mas ele andava cambaleando em sua direção, sem desistir – A vida, como o mar não oferece perigo algum, mas pessoas insistem em ser vento, e fazem tempestades, modificando a natureza primeira da vida... que como a do mar não é de perigo.(...)”

O Homem da Costa Norte, por Anne Russel, pg. 905


sábado, 15 de dezembro de 2012

O azul que prometi - poema



 

 O azul que prometi

Eu me lembro de um rosto amigo, onde 
Flores nasciam por todo o jardim,
Na fresca manhã de um outono antigo,
Antes que o sol brilhasse sua luz em mim.

Eu o via se encaminhando, ele me trazia paz;
Seu olhar, sempre dedicado, brilhava ao me ver;
E eu sabia que ele não me poderia amar mais
Assim como a ele eu amava, com todo meu ser.

Nosso jardim florescia por seus cuidados,
Eu o observava, cada gesto por sobre as delicadas flores;
Poderiam nos dizer eternos apaixonados
E, por sua doce presença, eu me perdia de amores.

"___ O bouquet mais precioso do jardim,
a ti dedico, amor meu, meu doce encanto.
Quero ver-te sempre assim
Sorrindo ao meu lado, pois que te amo tanto!..."

Ela sorria, com os olhos fechados, ao meu lado;
Eu a observava, confusa com o que ocorria,
Ele a trouxera pela mão até nosso jardim amado
E me apresentava como a algo que apenas lhe servia.

Ela me olhou, quando sua face se inclinara,
Seu sorriso desfez-se diante dele e de mim;
Ele perguntou se o presente não a agradara,
Eu não compreendia do que se tratava tudo enfim.

"___ Lilás?... Mas que espécie de flor é essa?"
Perguntou ela, desapontada, ao meu amor.
"___ Sei que queiras azul, mas a natureza pregou-me essa peça."
Respondeu ele, acanhado apenas por causa de minha cor.

Eles se foram, discutiam por banalidade,
Eu fiquei ali, imóvel, com o forte amor que sentia;
O jardineiro me cuidava para aquela a quem amava de verdade,
Não era eu, somente agora, dolorido, eu percebia.

À noite ele retornou, sentou-se ao meu lado;
Eu aparentava o mesmo aspecto de sempre
Embora, por dentro, se houvesse, meu coração seria quebrado;
Eu ainda o amava como se eu também fosse gente.

Mas ele não percebeu meu amor, como poderia?
A ele eu era somente uma planta florida do jardim;
Então ele me tocou no bouquet que recém nascia
E, com lágrimas a lhe descer do rosto, disse-me assim:

"___ Sei que não tens culpa de tua cor,
ainda gosto-te com a cor que tiveres em ti;
mas, à ela, não agradaste, minha bela flor,
e eu a amo tanto, mas não pude cumprir o que prometi."

Uma lágrima apenas ele deitou em mim,
Seu sal parecia queimar-me as pétalas lilases,
Eu o observei levantar-se e sair do jardim,
A noite era escura, de lua que mudava suas fases.

O primeiro raio de sol me chegou brilhante
E, com tristeza, lembrava-me de ser a culpada;
Por meu amor ser infeliz naquele instante
E por eu ser apenas uma planta que queria ser amada.

Mas ele chegou sorrindo e se aproximou devagar
Tocou-me nas pétalas e no bouquet que se abria.
"___ Azul, tornaste-te azul, mas como pudera mudar?"
Eu me surpreendi com o que ele me dizia.

Não me sentia diferente, nada parecia mudado em mim,
Mas um amor ainda maior crescia em minha essência;
Ele guardou aquela mágica só para nosso jardim
E, a ela, ele nunca ofereceu aquela amada hortênsia.

 Patricky Field







domingo, 9 de dezembro de 2012

If I had the chance



If I had the chance
                                                        Patricky Field

If I knew the day the Earth is going to turn upside down, I'd save a long minute before it, to kiss your lips and to transmit you all my faith in a world beyond these days; I’d let you know how much I need you and that I’d miss you more than the rise of the sun on East.

If I knew it all is going to be finished soon, I’d bring you next to me no matter distance or time; I’d walk an extra mile because you would be never way too far for me to carry you home, to have you near.

If I took all the chances to save the world alone, I’d start it by putting you safe and sound out from this world, away from all the perilous and harmful situations, even if I had to give my life away for it, and then, the rest of the world was under the risk to be destroyed afterwards.

And I’d never blame you for taking my life away, because you have given me my life at first, and it is you whom I shall owe my existence, I lived only due your presence and love.

If I had the chance to see the sun rising on East for the last time…I’d offer you my inner light to guide you like a beacon in a huge sea, the sea of my emotions and of the one whom I became only ‘cause of you.

domingo, 18 de novembro de 2012

Não se pode estar pela metade quando questionados pela vida




"___ Eu que lhe agradeço, Richard – Quisty abraçou o amigo com a emoção ainda forte em seu espírito – Hoje, quem aprendeu algo muito valioso fui eu, meu amigo. Aprendi que o tempo vem com suas respostas antes das perguntas serem feitas e que não se pode estar pela metade quando questionados pela vida; ela não admite se estar mais ou menos pronto, mais ou menos ciente ou conhecer apenas a superfície. Quando a vida apresenta a pergunta é preferível a ignorância total da resposta à uma resposta imperfeita e falha. E essa dúvida agora não é mais ignorada porque eu pude compreender o que o tempo leva anos para dizer."   

                                                                       Do livro: Coração e Ímpeto, de Patricky Field.

domingo, 21 de outubro de 2012

Velhas Fontes

 



Se eu me perco, serei um a mais?

Se te conheço, terei que voltar atrás?

Como um pássaro triste que trouxe vida à floresta,

mas que de sua própria vida nada mais resta?


Amado, a música toca, através do vento,

o som do mar ouve os teus pensamentos,

como o desejo de um deus displicente

um universo se fez, de toda dor ausente.


O tempo transcorreu, a vida se refez,

novas dores, sofrimentos, todos de uma vez,

aquele deus, de todo seu coração,

renasceu, para novamente cair em tentação.


Hoje a gota do último frasco se verteu,

se a primeira ou a última todos sabem, menos eu,

tantos foram os caminhos para cruzar a mesma ponte,

se foi vinho, se foi água, todos buscam outras fontes.


E o vento amainou, apesar do céu cinzento,

e a música lá fora é outra forma de tormento,

se eu me perco, sou mais um a vagar pelas estradas,

aos olhos de todos, eternamente, um ser... que não vale nada.

 

 Patricky Field


domingo, 30 de setembro de 2012

Em mãos erradas




Sabe, quando todas as canções já foram cantadas,

E todos os poemas já foram escritos,

E todas as leis foram redigidas,

E até mesmo o ar já foi respirado?

É assim mesmo que me sinto.


E, quando as flores de outono são as mesmas pelos campos,

E a mente se liberta, mas segue em curvas,

tropeçando,

Quando as cartas envelhecem, mofam, crestam, desaparecem;

Mas as palavras já haviam abandonado há longa data o peito,

A mente, as forças e a memória?

É o modo exato que me sinto.


Aquele dia que se pôs sem sol,

Aquela manhã que se ergue brilhante,

Tudo tão igual a tudo o que já se viu dantes,

E a dor que fica ali, presente, latejante,

Até ela é a mesma que lateja como antes;

O mundo passa, a gente fica,

Ou será mesmo o contrário, a gente passa, e o mundo

Fica.


Olhando agora, mais de perto,

Até mesmo o HD está cheio, e vazio ao mesmo tempo,

Novas pastas com nomes estranhos, nomes próprios, nomes feios;

Tudo se acumula; nada é visível,

Apenas o medo de perdê-lo...

Perder o quê mesmo? Se nem ao menos sei o que é esse sensor

Que tenho aqui, dentro do meu peito?


O cão ladra, sempre igual;

Até o dia em que morre, ou rompe a cerca, e foge,

E dos ruídos, nem sinal;

E uma fuga através da rua, ou através-além da vida,

São segundos, são minutos, são horas, mas finitas.


Sabe, quando a piada é aquela da qual já se deu risada?

Ou a janela tem tantos vidros, mas parece ainda tão estilhaçada?

Sabe, quando os outros já viraram realmente outros,

E os de perto fugiram para se bandearem e se juntarem àquele mesmo coro?


Sabe quando a roda gira e ainda assim parece enguiçada?

Sabe quando “aquilo” realmente caiu em mãos erradas?


Pois bem. É assim que eu sinto o mundo.

Exatamente assim. E mais nada.

Patricky Field












Into the wrong hands

Do you know, when all the songs have already been sung,
And all the poems have already been written,
And all the laws have been created,
And even the air has been already breathed?
That’s the way I feel these days.

And, when the autumn flowers are the same in the fields,
And the mind is set free, but it follows a stumbling twisted way,
When the letters get old, grow moldy, burnt, vanished;
But those words had already left long ago,
Left chest, mind, the strength and the memory?
That’s quite a lot of how I feel.

That day that finished without a sun,
That morning that’s rising so bright,
Everything so alike everything else that you’ve seen before,
And that pain that’s there, near, beating,
It is the same old pain that has been beaten before.
The world passes, and we stay,
Or is it the reverse, we pass, and the world stays?

Looking now, closer,
Even the HD seems to be full, and empty at same time,
New folders with strange names, people names, harsh names,
Everything gets in loads and loads,
But nothing is visible,
Only the fear of losing it....
But losing what? If not even I know what is this sensor that I have here, inside of my chest?

The dog barks, always the same way,
Til the day it dies, or breaks thru the fence, and runs,
And from the noisy barks, not even a sign,
And a runaway across the street, or across the “beyond”,
It takes seconds, minutes, hours, but it’s always a finite moment.

Do you know, when the joke is the one you’ve laughed at before,
Or the window has so many glasses, but even so it seems so broke into small pieces?
Do you know, when the others have really turned into other ones,
And those ones who were so close have run to get together that same choir of the other ones?

Do you know when the wheel spins, and even so it seems to be so deadly stuck?
Do you know when “that thing” has really fallen into the wrong hands?

Well. That’s the way that I feel the world.
Exactly that… And nothing else.


domingo, 16 de setembro de 2012

Lemniscata




Despertar

Patricky Field  

Acordo, e penso naquilo que tanto me fez sofrer,
Outrora foi sonho, o que o presente fez parecer real,
Agora que vejo o dia calmo, que começa a nascer,
Percebo além do tempo a verdadeira essência, do Bem e do Mal.

Não fui eu, não foi por mim;
Tudo ilusão, de um tempo que é, que foi e que sempre será,
Nunca existiram dias assim tão ruins,
Jamais haverá felicidade alguma que não a que aqui já é e está.

Eu pertenço ao eterno momento do silêncio,
Preciso segundo de um toque fugaz,
Ao menos tenho a nobreza do sentimento
Que, apesar de tudo, de tudo será capaz.

De me defender, de criar, de dar e ouvir,
De tudo um pouco, construindo o sonho,
O sonho daquele dia que nunca há de vir,
Da noite que termina com o sol, brilhando a ouro.

Aqui termina e aqui começa; uma roda em minha mão;
Tesouro e indiferença nessa lemniscata viva;
Tanto amor não poderia nunca ter sido em vão,
Nem mesmo a dor, que aproxima e reaviva.

Perdoe-me os desencontros, não foram culpa minha;
Te perdoo tudo aquilo que antes eu não sabia,
E enfim, ao acordar, não teremos mais certezas,
Apenas a de que a roda há cessado e nos retirado toda e qualquer tristeza.

domingo, 9 de setembro de 2012

Fidelidade de tua alma


Onde está teu ser, oh beleza imaculada?
Minha vida é guiada pela Luz de tua alma;
por quantos caminhos viajei; meus, teus, centenas de chegadas;
mas em todas elas o retorno sem respostas, apenas eu e um imenso eterno nada.

Ora aqui, ora distante;
Por que partir se somos apenas esse instante?
Por que não ver que, o fogo que aponta no horizonte,
é somente o brilho que nos olhos trazemos forte e incessante?

O destino dá, o destino toma,
não podemos simplesmente ser ao invés de ter?
Ser coragem, ser Amor, ser da vida o eterno Dom;
inamovíveis, porém mutáveis, capazes de tudo o que nunca ousamos até então.

Como refrear os passos quando se acaba de aprender a andar?
Na busca pelo ar, como deixar de respirar?
Em cada canto o ser grita por uma liberdade
que vem apenas quando a última palavra se calar pela verdade.

O mundo não é mal, é apenas ilusão;
como pode produzir sonhos tão reais, de tão alta definição?
Como se um fino cristal pudesse esconder o seu interior
o Universo tenta preservar seus segredos de todo e qualquer invasor.

E a invasão de sentimentos se assoma, de tal forma que assusta;
e o medo produz muros e paredes que oprimem,
caminhos que nos levam para mais distante do que fomos ontem,
perdendo-se estórias e verdades; não havendo quem as contem.

Sou a dor de uma jornada que procura ser estrada,
iluminada pela Luz de sua alma, imaculada;
haverá um destino fiel nesse meio chamado vida?
Será eterna essa busca que iniciei; alma querida?


                                                                        Patricky Field







 

domingo, 19 de agosto de 2012

A realidade é quem muda? E a nossa forma de encará-la?

Quando nascemos, compreendemos uma porção de coisas e elementos que a mente humana consegue captar. Digo humana, pois que da alma nada se conhece além dos mitos e dos fatos que de outros ouvimos, assimilamos; nada de concreto.
O tempo não pára, não nos deixa respirar... qual será seu plano, nos mantendo sempre em pressa, sempre em movimento?
Nada de intervalos, nenhuma vaga de calmaria nesse turbulento profundo mar da vida. A existência passa, cuidado! Se já não foi, ela te atropela. Qual é essa praia em que nunca a onda quebra?
Questões, hein? E aquela velha compreensão de origem materna?
Nascemos para um plano, uma vida completa, nada de desvios, nem um ponto de interrogação em alguma frase do livro da vida.
Questões? É mais fácil pensar na má sorte que, de fora, nos atinge como um raio. Aí estão as respostas. Somos mal afortunados, pobres vítimas da incúria que, de um lado nos cumula de maus tratos.
A quem se ama, um pouquinho de cuidado... O que é o amor?
Já toquei uma vez o amor, ele é fofo, quente, vermelho... Ahn? Ah!, só um momento; essa era uma almofada velha que eu abraçava vez ou outra, me enganei.
O amor?... Bem... Sabe, eu não tenho uma foto ou pintura, nem palavras que, unidas, descreveriam o amor.
Qualquer sentimento é um algo assim, digamos, difícil de se encontrar debaixo do nariz, à mão, como estamos todos nós e todas as coisas que constituem o nosso mundo real.
Realidade. Eis o ponto. Bem e Mal. Sabe você que espécie de antítese seria essa? O “Bem” e o “Mal”... Fácil identificar, é lógico.
Bem é tudo o que há de Bom. Mal é tudo o que há de Mau, de ruim. Isso. Está bem explicado, não é? Não é?....  Será?...
Ih!, pára de perguntar, isso é tudo o que há para se dizer sobre o Bem e o Mal.
É. Basta um segundo de dúvida e o castelo da certeza em simples definições se desfaz. Bem, era esse o plano do tempo, a principio.
“ Não vos deixarei um minuto para pensardes, ou então me venceríeis.”
É, tempo, Sr. Insanidade Temporária, o senhor está vencendo mesmo. Olhe à tua volta. Ocupados, todos, a vida é cada dia um precioso obstáculo a ser superado. Não contamos muito com a ajuda de todos os outros, não é mesmo? Não há tempo, não há entendimento, pois não há tempo.
Espelhos, temos muitos. Quem não se mirou num 7X8, num 60X100cm? Vemos sim, somos legais, às vezes nem tanto, mas mais um minutinho ali, aqui e pronto! Todos vão me ver, estou apresentável para uma rápida inspeção de rotina. Todos me viram, passei o dia à volta com meus seres humanos e, agora, eu vou para a cama; foi um tempo bem gasto.

“Hei! Alguém viu a minha jaqueta, que eu esqueci por sobre a mesa?”
“Jaqueta? Não reparei que usava uma. Eu estava ao lado, ocupado em amarrar os cadarços de meu tênis, aquele com luzes e amortecedor.”
“O que? Você comprou aquele tênis? Puxa, eu nem vi... Mas que bom, também vou comprar um, sabia?

Bem, às vezes nem se percebe mesmo pequenos detalhes, é um dom perdoável.

“Faça aos outros o que quereríeis vos fizessem”...
Ah, essa é triste! Dá para crer nessa máxima?
Se eu desejo ocupar um cargo de promoção, como vou eu também promover outro a mesmo cargo? Eu já estou lá, eu quis assim. Se eu quero que me dêem algumas horas de repouso, como posso eu também permitir ao outro descansar, se alguém tem que trabalhar? Dura essa, hein?
Pior ainda, eu desejo que me batam, então saio por aí distribuindo porrada em todos os que me cruzem o caminho. Tem essa sim, cada um sabe do que gosta ou deseja.

Aí está de volta o velho antagonismo, Bem e Mal. Tem coisa pior do que parar para pensar? Eh, tempo bastardo, sabe manipular bem. Isso é que é mestre das ilusões. Sabe, aqueles mágicos de cartas que te põe tão atento às cenas, ao espetáculo, que te engrupe, te leva para a conclusão mais pura de que foi real e não houve truques, não houve jogos de mãos e olhos e um pouco de dormência na alma?
Bem, eu acredito em magia, mas aquela que nos envolve nesse mundo, que ergue o sol  (ergue?), desabrocha as flores  (cada dia um botão, talvez seria o mesmo?), faz chover para renovar a água (tomamos banho com água de 1.000.000,00 de anos?) e, ao fim de tudo, nos dá o tempo de nascer, crescer e morrer.
Quem se lembra do dia de ontem? Ah, é fácil, era quando eu quis tanto aquele... aquela coisa... Ah!, era algo legal para aquele dia, mas agora já me esqueci. Hoje eu não preciso mais daquilo. Mas foi tão bom, fiquei muito satisfeito por quase todo aquele dia... Pena que tive que conseguir a custo de um pequeno sacrifício dos outros, foi difícil, mas o que há, se agora esse sentimento é mais difícil de tirar, não sei porque teima em aparecer o sentimento de culpa nas horas que mais me incomoda, quando estou sozinho, quando vou dormir; e não volta aquela sensação boa de quando consegui o que avidamente desejava. Agora, tenho que partir para nova conquista, e vai ser tão compensatória quanto a outra. Minutos de prazer e aqueles segundos eternos de um incômodo peso no estômago. Mas isso passa, deve passar com um biscoito ou dois, talvez um anti-ácido...
Cansei, chega. Palavras demais para verdades de menos. Ela é uma só. O bem, o Mal, o Amor, a Reciprocidade, eu não tenho como explicar. O motivo? Você não me ouviria, somos surdos para uma porção de coisas, aquelas que nós dizemos, por exemplo, e também aquelas que a nós são ditas como alerta ou revelação.
Quem gosta de ser execrado? Não sabe o que é isso? É, talvez porque não exista tal palavra. Não digo na expressão lingüística, mas no sentido em si.
Quem te ama? Poucos, não é? Você sabe, aqueles que não te desejam bom dia, mas te proporcionam uma boa existência. Aqueles que não te elogiam, mas te fazem sempre ser melhor. Aqueles que, à noite, te dispensam um minuto de paz e descanso. Aqueles que discutem porque te ouviram e te compreenderam. Às vezes os erros, às vezes os acertos. Aqueles que, segundo o que ouvi, te permitiram dar o amor em troca de nada, te permitiram entrar e ficar... é raro isso, não é? Fala sério.
Bem, esses não têm nome, são sentimentos e, conhecendo a ti como tu mesmo, não há como execrar, seria suicídio, visto que são partes de um todo, não adianta falar que não. Mas veja bem, ouviu o que eu disse, não é? São poucos, às vezes nem existam ainda em tua vida, mas quando estiverem à sua frente, você vai saber. Não é homem, mulher, nada disso, amor eterno. É fraterno, é respeito; não é chavão de Internet ou palavras baratas. É importante, o que de mais o tempo não pode domar. A união e o respeito. Por esses, você aprende que era melhor do que supunha (não se sacrifica para mudar)  um desejo natural de não magoar, já que no outro supõe-se mesmo desejo de sentir.
Isso pode levar anos, talvez nunca ocorra, mas o tempo perdido com enganos e sentimentos errados é o que aniquila as chances.
O tempo... Ah, ele engrupe sim, é horrível. Te faz sentir perdedor, sempre se perde algo de um dia para o outro. Puxa, que existência importante. Não devemos perder nada, senão... O tempo exige sermos fluentes, sermos correntes.
O Bem e o Mal permanecem o “Bom” e o “Mau”, nunca haverá tempo para os descobrir estado de espírito; o momento que se atravessa deixando nas pessoas, objetos inanimados, atos ou conceitos, o sabor de amargo ou doces lembranças. O individual por sobre o conceito, o valor por sobre o já mastigado peso.
O amor... sem tempo para ponderar, vai passar batido assim como tantos outros compromissos.
O que me leva a escrever tanto e tamanhas tolices? Bem... ou mal ;o)) Eu acredito que ninguém ao menos terá tempo para ler e, acaso tenha, Ih!... Mais tempo para compreender...
Não, a ilusão do mágico leva só uns 5 minutos, é melhor ater-se a ela, é realmente rápida... Mas passa, sabe, como os anos. O palco foi fechado, as cartas foram levadas e, na platéia, um indivíduo só continua sentado, aplaudindo o ato e ainda especulando como tudo há acontecido tão mágico, diante de seus olhos tão aguçados e como fará para, já à noite e só, encontrar o caminho e voltar para casa. Você nem viu o tempo passar, parecia eterno...
Esse tempo é um caso sério mesmo. Se ao menos o tempo desse um tempo...


Patricky Field
23 de Dezembro de 2001










domingo, 12 de agosto de 2012

Viver apenas ou ser a própria vida para sempre?



"(...) Sempre foram suas flores preferidas nos canteiros, os gerânios que vira Dináh cultivando quando daquela mesma época, em L.A.... Que doce momento... Tê-los vivido, aqueles minutos de amor profundo, além das cordas que tocam a música da rotina, do hoje humano, do estar vivo e, por isso, obtuso, abstraído do conteúdo fora da matéria, matéria essa onde os códigos não tocam a forma pura de energia que preenche as cordas douradas do eu-eterno que pulsa ao longe o que o homem-vivo não pode experimentar, sem que tenha da vida recebido aquele dom gratuito do pequeno segundo, minuto de amor profundo que surge uma vez só e que preenche eternamente aquele elo entre viver apenas e ser a própria vida para sempre."

Patricky Field, em Coração e Ímpeto, pg. 2156.

sábado, 21 de julho de 2012

Não existe o Mal



"Todos os males, quando grandes demais, assustam pela aparência grotesca e obscura; nunca se sabe o que deles esperar. É o caos, que ocorre quando não há como prever o próximo passo, ou saber o que advirá no dia seguinte...   Mas esse é o universo do mal, ele é dominado pelo obscurecimento e tem que calcular, à força, os milímetros exatos por onde caminhar para não perder o chão, para controlar as ações, próprias e alheias. E buscam por esse domínio obscuro até se aprofundarem nele, e quanto mais profundo... perdem-se. 
Não há como encontrar a direção certa ou errada, e toda a energia empregada naquele território se esgota e se acaba. Se apaga como uma chama que antes podia parecer intensa e assustadora, queimando as mãos de quem tentou se proteger contra o mal... 
Não quero me proteger a esse custo, não quero me queimar em uma chama que não tem como arder eternamente e me alcançar. Eu sinto aqui, dentro do meu peito, que há mais em mim, em vocês, em nós todos, do que há por aí, em milhões, bilhões de pessoas que possam estar aderidas ao mal, crendo ser ele a chama guiadora de suas buscas e ambições. Eu não estou sozinho, não tenho ódio ou receio por razão alguma, e aqui, agora, declaro que sou inteiro pelo amor que durante anos vi crescer dentro de mim, pelo o que eu sou, pelas vidas de vocês e por todo um universo que é além e maior e mais justo do que papel algum ou voz alguma no mundo já proferiu."
Como visto em Coração e Ímpeto, por Patricky Field.

O que possivelmente pode ser o amor?

"É complicado, atordoante, te vira completamente do avesso, mas encontrar a pessoa que te completa é a melhor sensação que alguém pode ter. É como se fosse um encontro consigo próprio, e como tal, é claro, amedronta, faz você repensar toda sua vida, e você descobre que não era nada antes de conhecer o verdadeiro amor, e que, depois dele, você já era, está aniquilado se não tiver mais, mesmo que por um dia, sua alma especial ao seu lado."
Patricky Field - em Coração e Ímpeto