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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Beira do caminho

 

 

 Sentei-me à beira do caminho,
Olhei nas direções Norte e Sul,
Senti o quanto havia caminhado,
Não sabia de onde havia vindo ou por onde
Conduzir meus passos de agora e de então.


 Sim, os de ontem ainda estão vivos,
Os passos ativos me conduzem em direções erradas,
Se só no pensamento penso em seguir à frente,
No coração sinto como se voltasse ou estagnasse,
E nada daquilo tudo o que vivi realmente em mim ficasse.


 Acabo de ver meus sonhos correndo porta afora,
Andando como se nada os pudesse deter,
Como se a mim não pertencessem,
Talvez não pertençam realmente...
Mas se parecem tanto comigo...


 Sou seu deus, são meus demônios,
Afogados num mar de risos contemporâneos
Envoltos numa bruma fria de “depois”, “agora não”,
Sempre “depois”, sempre “perdão”,
“Como vai” apenas, e mais um, mais um sonho que parte sem dizer razão.


 E na música a escala, como na oração,
Mi, dó, ré, e quantas mais,
Ut queant laxis, Ressonare Fibris, Mira gestoru,Para que possam ressoar as maravilhas!
Numa escala próxima à divina,
Criando verdades parecidas com aquelas de nossa primeira vida.


 Não me permita estagnar,
Se não puder correr como o rio
Que seja então uma onda daquele imenso mar,
De soltas notas de desejos primeiros,
De quando na estrada nos pusemos a caminhar.


 Hoje vi meus sonhos caminhando para longe
Percebi que são só sonhos, nem os chamei de volta,
Pus um pé na realidade, outro também, deixei pegadas,
Talvez recobre um pouco da magia se ouvir o som das notas,
Do caminho por aonde vim, da orquestra de minhas botas.

sábado, 15 de dezembro de 2012

O azul que prometi - poema



 

 O azul que prometi

Eu me lembro de um rosto amigo, onde 
Flores nasciam por todo o jardim,
Na fresca manhã de um outono antigo,
Antes que o sol brilhasse sua luz em mim.

Eu o via se encaminhando, ele me trazia paz;
Seu olhar, sempre dedicado, brilhava ao me ver;
E eu sabia que ele não me poderia amar mais
Assim como a ele eu amava, com todo meu ser.

Nosso jardim florescia por seus cuidados,
Eu o observava, cada gesto por sobre as delicadas flores;
Poderiam nos dizer eternos apaixonados
E, por sua doce presença, eu me perdia de amores.

"___ O bouquet mais precioso do jardim,
a ti dedico, amor meu, meu doce encanto.
Quero ver-te sempre assim
Sorrindo ao meu lado, pois que te amo tanto!..."

Ela sorria, com os olhos fechados, ao meu lado;
Eu a observava, confusa com o que ocorria,
Ele a trouxera pela mão até nosso jardim amado
E me apresentava como a algo que apenas lhe servia.

Ela me olhou, quando sua face se inclinara,
Seu sorriso desfez-se diante dele e de mim;
Ele perguntou se o presente não a agradara,
Eu não compreendia do que se tratava tudo enfim.

"___ Lilás?... Mas que espécie de flor é essa?"
Perguntou ela, desapontada, ao meu amor.
"___ Sei que queiras azul, mas a natureza pregou-me essa peça."
Respondeu ele, acanhado apenas por causa de minha cor.

Eles se foram, discutiam por banalidade,
Eu fiquei ali, imóvel, com o forte amor que sentia;
O jardineiro me cuidava para aquela a quem amava de verdade,
Não era eu, somente agora, dolorido, eu percebia.

À noite ele retornou, sentou-se ao meu lado;
Eu aparentava o mesmo aspecto de sempre
Embora, por dentro, se houvesse, meu coração seria quebrado;
Eu ainda o amava como se eu também fosse gente.

Mas ele não percebeu meu amor, como poderia?
A ele eu era somente uma planta florida do jardim;
Então ele me tocou no bouquet que recém nascia
E, com lágrimas a lhe descer do rosto, disse-me assim:

"___ Sei que não tens culpa de tua cor,
ainda gosto-te com a cor que tiveres em ti;
mas, à ela, não agradaste, minha bela flor,
e eu a amo tanto, mas não pude cumprir o que prometi."

Uma lágrima apenas ele deitou em mim,
Seu sal parecia queimar-me as pétalas lilases,
Eu o observei levantar-se e sair do jardim,
A noite era escura, de lua que mudava suas fases.

O primeiro raio de sol me chegou brilhante
E, com tristeza, lembrava-me de ser a culpada;
Por meu amor ser infeliz naquele instante
E por eu ser apenas uma planta que queria ser amada.

Mas ele chegou sorrindo e se aproximou devagar
Tocou-me nas pétalas e no bouquet que se abria.
"___ Azul, tornaste-te azul, mas como pudera mudar?"
Eu me surpreendi com o que ele me dizia.

Não me sentia diferente, nada parecia mudado em mim,
Mas um amor ainda maior crescia em minha essência;
Ele guardou aquela mágica só para nosso jardim
E, a ela, ele nunca ofereceu aquela amada hortênsia.

 Patricky Field







domingo, 18 de novembro de 2012

Não se pode estar pela metade quando questionados pela vida




"___ Eu que lhe agradeço, Richard – Quisty abraçou o amigo com a emoção ainda forte em seu espírito – Hoje, quem aprendeu algo muito valioso fui eu, meu amigo. Aprendi que o tempo vem com suas respostas antes das perguntas serem feitas e que não se pode estar pela metade quando questionados pela vida; ela não admite se estar mais ou menos pronto, mais ou menos ciente ou conhecer apenas a superfície. Quando a vida apresenta a pergunta é preferível a ignorância total da resposta à uma resposta imperfeita e falha. E essa dúvida agora não é mais ignorada porque eu pude compreender o que o tempo leva anos para dizer."   

                                                                       Do livro: Coração e Ímpeto, de Patricky Field.

domingo, 9 de setembro de 2012

Fidelidade de tua alma


Onde está teu ser, oh beleza imaculada?
Minha vida é guiada pela Luz de tua alma;
por quantos caminhos viajei; meus, teus, centenas de chegadas;
mas em todas elas o retorno sem respostas, apenas eu e um imenso eterno nada.

Ora aqui, ora distante;
Por que partir se somos apenas esse instante?
Por que não ver que, o fogo que aponta no horizonte,
é somente o brilho que nos olhos trazemos forte e incessante?

O destino dá, o destino toma,
não podemos simplesmente ser ao invés de ter?
Ser coragem, ser Amor, ser da vida o eterno Dom;
inamovíveis, porém mutáveis, capazes de tudo o que nunca ousamos até então.

Como refrear os passos quando se acaba de aprender a andar?
Na busca pelo ar, como deixar de respirar?
Em cada canto o ser grita por uma liberdade
que vem apenas quando a última palavra se calar pela verdade.

O mundo não é mal, é apenas ilusão;
como pode produzir sonhos tão reais, de tão alta definição?
Como se um fino cristal pudesse esconder o seu interior
o Universo tenta preservar seus segredos de todo e qualquer invasor.

E a invasão de sentimentos se assoma, de tal forma que assusta;
e o medo produz muros e paredes que oprimem,
caminhos que nos levam para mais distante do que fomos ontem,
perdendo-se estórias e verdades; não havendo quem as contem.

Sou a dor de uma jornada que procura ser estrada,
iluminada pela Luz de sua alma, imaculada;
haverá um destino fiel nesse meio chamado vida?
Será eterna essa busca que iniciei; alma querida?


                                                                        Patricky Field